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Para ouvir enquanto lê:
The National – Abel
The National – Anyone’s Ghost
The National – Lit Up
The National – Slow Show
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A música do The National é uma tarde de outono em um parque. Tem uma melancolia aparente, mas a felicidade também está ali, para quem quiser ver.
Essa percepção está em cada acorde, em cada batida, na voz grave de Matt Berninger e nas letras. E, assim como uma patricinha tem seus dias de vagabunda, os National deixam de lado a imagem de bons moços em alguns momentos para dar vazão a uma personalidade grunge.
Vão de “Sorrow’s my body on the waves / Sorrow’s a girl inside my cave / I live in a city sorrow built / It’s in my honey, it’s in my milk” a “I was afraid / I’d eat your brains / Cause I’m an evil” como se trocassem de roupa.
Essa dicotomia é o que nos dá a sensação paradoxal de querer ficar deitado em um dia ensolarado e sair para a rua em uma tempestade quando ouve qualquer um de seus álbuns. Sensação ainda mais perceptível no show. Com um terno todo preto, Matt parecia querer se resguardar atrás de sua aparência sóbria em músicas como Runaway e Daughters of the Soho Riot. Até explodir em uma profusão de gritos alucinantes em Abel ou Mr. November.
Quando os National pareciam ter mostrado todas suas facetas e o show se encaminhava para o fim, eis que surpreendem novamente. Vanderlyle Crybaby Geek é cantada sem microfone, só com um violão e um sax acompanhando. Uma demonstração clara da paixão que têm pelo que fazem. E é essa paixão que funde a melancolia e a felicidade em um sentimento único: emoção.



