Mochilão América do Sul – Dia 66

•11/08/2013 • Deixe um comentário

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Para ouvir:

Shout Out Louds – Shut Your Eyes

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Dia 66 – 17/06/12 – domingo (Buenos Aires)

O domingão começa tarde, chuvoso e frio. Típico dia pra ficar em casa sem fazer nada, o que não é muito indicado em uma viagem. Ainda mais depois de ficar em casa alguns dias por motivos de força maior.

Uma das opções era dar uma volta pelo centro, Casa Rosada, Teatro Cólon e outros pontos turísticos. Sem chance com essa chuva. Além do que, já passei por eles na minha primeira estadia aqui. Escolhemos um passeio barato, em um lugar fechado e muito mais interessante, a meu ver: o Museu Nacional de Bellas Artes.

Ao lado do Cemitério da Recoleta, da Faculdade de Direito e da Flor de Metal, o bonito prédio vermelho-queimado pode acabar passando despercebido, o que é um crime. Dentro, salas amplas e coloridas abrigam um acervo riquíssimo, com quadros e esculturas de artistas nacionais e estrangeiros. Monet, Rodin, Goya e Michel Angel (que eu demorei muitos minutos e alguns quadros para descobrir que é Michelangelo) são alguns dos mais notórios.

Uma escada leva ao segundo piso, onde obras de telecinética surpreendentes aguçam todos os sentidos. Uma dica: chegue cedo pra poder ver tudo com calma. Às 20h somos avisados que o museu vai fechar. Não conseguimos ver todas as obras interativas, mas o rolê valeu a pena.

Uma sopa feita por Gabi à noite, na companhia de Vicky, Kelly e O Poderoso Chefão fecha minha última noite em Buenos Aires. Norte, ai vou eu!

Mochilão América do Sul – Dia 65

•07/08/2013 • Deixe um comentário

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Para ouvir:

The Who – Baba O’Riley

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Dia 65 – 16/06/12 – sábado (Buenos Aires)

Acordar tarde por dias seguidos é ruim por um motivo: quando tem que despertar um pouco mais cedo, parece o fim do mundo. Que fique claro que o “um pouco mais cedo” é em relação ao horário que eu acordei nos últimos dias. Levanto às 11h.

Combinei com Rey Calavera, meu amigo mexicano com quem trabalhei em uma agência em São Paulo, de nos encontrarmos às 13h no portão do Cemitério da Recoleta. Minha saúde voltou ao normal, tenho tempo de sobra, o dia está ensolarado. Vou caminhando até lá.

Buenos Aires é uma cidade plana, arborizada, com calçadas geralmente largas, nada de trombadinhas em esquinas. O maior perigo é atravessar as ruas. Os portenhos são loucos no trânsito. Não respeitam nada, muito menos os pedestres. Se está atravessando a rua e vem um carro, ou dá aquela corridinha apertada, ou vai parar embaixo do veículo.

Às quinze pras 13h, depois de uma hora andando, chego na Recoleta. Uma feirinha artesanal contorna todo o cemitério. A necessidade de economizar e a falta de espaço na mochila me impedem de comprar qualquer coisa.

Rey chega e entramos no cemitério. Em toda a viagem, não tinha visto tantos brasileiros em um mesmo lugar. Turista é o que não falta aqui. Eu até entendo a beleza do lugar, repleto de jazigos mais caros que muita casa, estátuas gigantescas, epitáfios lindos e restos mortais de muita gente importante. Mas ainda assim, é um passeio um pouco mórbido. Ruas, esquinas e avenidas margeadas por lares sem vida. A vizinhança é composta por Sarmiento, Roca, Evita e outras figuras históricas da Argentina. Uma cidade dos mortos. Será que algum estudante de arquitetura já pensou em fazer uma tese sobre a história e a importância das construções baseada nos túmulos?

Solidariedade

Esse é o cenário do meu primeiro ensaio fotográfico. Duas horas clicando Rey Calavera. Até que o resultado é satisfatório prum primeiro ensaio. Claro que faltam prática, conceitos e tudo mais. Próximos passos: fazer um curso completo de foto e comprar uma lente tele.

Rey_Calavera

Clique e veja todas as fotos do ensaio “Reycoleta” no Flickr.

Saímos do cemitério e recebo o pagamento pelo primeiro ensaio. Dois pedaços de pizza deliciosos no Güerrin, uma pizzaria que fica em uma porta discreta entre as dezenas de fachadas brilhantes e iluminadas dos teatros na Avenida Corrientes.

Também fizeram parte do pagamento algumas cervejas que tomamos na casa do Rey, um apartamento grande em um prédio muito antigo. O elevador, daqueles com porta de ferro sanfonada, serviu como cenário pras últimas fotos.

Foi assim, depois de mais de quatro meses, que finalmente encontrei Rey fora do Brasil, um dos maiores responsáveis por fazer eu perceber que não dava pra esperar mais pra viajar.

Volto e encontro Vicky e Will na mesma pizzaria de ontem. Um copinho de vinho pra acompanhar e o sábado acaba com o licorzinho de cachaça pra dormir feliz.


Uma banda de senhores na porta do Cemitério da Recoleta contrastam com a morbidez de dentro do ponto turístico com músicas animadas, como se viessem de algum filme do Woody Allen.

Mochilão América do Sul – Dia 64

•06/08/2013 • Deixe um comentário

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Para ouvir:

The Rolling Stones – Time Is On My Side

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Dia 64 – 15/06/12 – 6ª-feira (Buenos Aires)

Mais um dia que acordo tarde. Acho que estar no conforto em um ambiente familiar depois de tanto tempo na estrada me deixou relaxado. Além da leve febre e da necessidade de economizar.

Tenho a tarde toda pra finalmente desbloquear o cartão de crédito da MasterCard que chegou. Ajuda de Renatão lá de casa e tudo resolvido. Agora, o maior problema é conseguir liberá-lo pra usar fora do Brasil. Não sei qual a razão, mas daqui não consigo ligar pro número que deveria, e pela internet não dá porque só posso fazer transações por um computador cadastrado.

Pra cadastrar outro computador, preciso do meu celular, que não trouxe. E ainda tem outro problema pra resolver: acabou a grana do cartão Visa Travel Money. Nada que não possa ser resolvido pela dupla dos “Lê’s”. Leila ligou no banco pra habilitar o cartão. Leandro passou em casa e fez a transação pra carregar o cartão de viagem do meu computador. Aí sim! Valeu, chicos!

Isso merece uma comemoração. À noite, vou com Vicky e Will a uma pizzaria chamada Morelia. A atração é a pizza quadrada. Um vinho pra acompanhar e Limoncello de sobremesa. Parece mentira, mas conseguimos nos controlar. Nada de balada hoje. Só um licor de cachaça que Will trouxe do Brasil de saideira antes de dormir. Amanhã o dia promete!

Mochilão América do Sul – Dia 63

•24/07/2013 • Deixe um comentário

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Para ouvir:

Penguin Cafe Orchestra – Penguin Cafe Single

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Dia 63 – 14/06/12 – 5ª-feira (Buenos Aires)

Por ter saído e tomado uma cervejinha à noite, acordei pior que ontem. O almoço e um chá de alho, gengibre e limão ajudam a melhorar. De qualquer jeito, não dá pra ficar dentro de casa mais um dia. Vicky me fala de dois museus aqui perto. O Museu Evita e o MALBA – Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires. Um rolezinho cultural vai fazer bem.

Caminhar por Buenos Aires é um passeio à parte. Esta região da cidade (Palermo) é uma beleza. Muitos parques, praças, árvores, pessoas fazendo cooper, pedalando e passeando com vários cachorros.

O Museu Evita fica em um sobrado que pertencia à família Carabassa. O edifício foi comprado pela Fundação Eva Perón na década de 40, e serviu para abrigar mulheres e crianças desamparadas.

Tudo bem simples, sem aquela ostentação gratuita, desnecessária. Por meio de textos explicativos, fotos, vídeos, frases marcantes, roupas e objetos, conta-se toda a trajetória da atriz, principalmente seu envolvimento com o General Perón e, consequentemente, com a política. Claro que há muitas controvérsias sobre sua vida, suas motivações políticas e ideias. O que não se pode negar é o fato de que ela foi uma mulher corajosa, decidida e poderosa, principalmente quando levamos em conta a época em que viveu. Eram tempos áureos protagonizados por coronéis, generais, ditadores. A real emancipação da mulher no cotidiano veio muitos anos depois.

Saio do museu no final da tarde. O vento gelado e a febre ainda presente me fazem deixar o Malba para outro dia. Não troco minha viagem pela visita a um museu.

As fotos do museu estão aqui no Flickr!

Mochilão América do Sul – Dia 62

•22/07/2013 • Deixe um comentário

Dia 62 – 13/06/12 – 4ª-feira (Buenos Aires)

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Para ouvir:

Orquesta Típica Fernández Fierro – Canción Desesperada

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A febre não só não foi embora, como piorou um pouco. Acordei tarde e mal. Já estava achando estranho viajar por tanto tempo e em condições climáticas tão diversas sem pegar sequer um resfriado. Minha sorte é que fiquei zoado só aqui, onde tenho paz, conforto, alguns dias de bobeira até pegar a estrada de novo e a Vicky, pra abusar da boa vontade dela!

Depois de almoçar, descansar mais um pouco e tomar um banho, me sinto melhor. Ainda febril, mas com condições de sair. Ótimo, porque troquei o drama do jogo do Timão contra o Santos, o primeiro da semifinal da Libertadores, pelo drama de um espetáculo de tango.

O lugar do show é pequeno, não cabe muita gente e os espectadores ficam bem perto dos artistas. Chama Vila Belmiro. O outro lugar, onde estou, tem as mesmas características, e seu nome é Club Atlético Fernández Fierro. Lá, são 11 contra 11 mais as duas torcidas. Aqui, são 12 músicos mais a plateia.

A bola rola às 22h. As cortinas se abrem às 22h30. No Corinthians, 1 goleiro, 2 zagueiros, 2 laterais, 2 volantes, 2 meias e 2 atacantes. Na Orquesta Típica Fernandez Fierro, 4 acordeões, 4 violinos, 1 baixo, 1 violoncelo, 1 piano e 1 vocalista.

Mesmo sem ver, sei que o jogo é tenso, truncado, imprevisível. O tango é intenso, poético, impressionante.

Para ganhar um jogo como esse, é preciso vontade, raça, técnica. Características que os músicos têm de sobra. Tocam com a alma, se entregam à melodia, se contorcem e vibram a cada acorde. Possuem um entrosamento invejável, não deixam a bola cair, marcam um golaço.

De volta à casa, acesso a internet e vejo que o Timão ganhou. Sofrido, com jogador expulso e refletores apagados.

Em uma noite, dois dramas com final feliz. Que continue assim!

As fotos do show estão aqui no Flickr!

Mochilão América do Sul – Dia 61

•03/07/2013 • 2 Comentários

Dia 61 – 12/06/12 – 3ª-feira (Buenos Aires)

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Para ouvir:

Belle & Sebastian – Another Sunny Day

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Como diria o ditado, quem planta cerveja, colhe ressaca. Talvez não seja bem isso, tá difícil conseguir pensar. O problema maior, na verdade, é que minha resistência baixou. Uma noite congelante mal dormida no trem seguida de outra noite em claro. Se não é por bem, o corpo dá um jeito de fazer o corpo descansar. Um pouco de febre, corpo dolorido. Hoje, nada de sair e beber. O plano é recuperar as energias.

No começo da noite, Will, namorado de Vicky, chega. Não foi ao bar com a gente ontem porque estava mal, com febre também. Jantamos, conversamos, todos afim de uma noite tranquila. Pra acompanhar, só um copinho de vinho porque faz bem ao coração. É o que dizem. Eu acredito!

Mochilão América do Sul – Dia 60

•02/07/2013 • 2 Comentários

Dia 60 – 11/06/12 – 2ª-feira (Buenos Aires)

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Para ouvir:

Queens Of The Stone Age – Better Living Through Chemistry

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De volta a Buenos Aires, em condições totalmente opostas à minha primeira passagem pela cidade.

Antes, cheguei sem cartões de crédito, sem muita intimidade com o espanhol (a língua, que fique claro), com frio e a ideia de passar uns 15 dias na Patagônia.

Agora, já com um dinheiro eletrônico e outro à espera na casa da Vicky, um pouco mais de facilidade pra ouvir e falar, com calor e 2 meses na Patagônia depois!

A recepção, mais uma vez, é animada. É muito bom estar aqui de novo. Eu chego e Gabi, amiga dos tempos da Trip e rommate de Vicky, se vai. Tem uma viagem a Salta a trabalho, volta só sábado. Enquanto isso, gentilmente me cedeu seu quarto.

Mesmo depois de um banho quente, meus pés estão vermelhos e inchados. O frio no trem durante a noite não estava pra brincadeira. Depois de duas viagens quase congelando, acho que aprendi. Viajar por lugares conhecidos pelo frio sem estar perfeitamente coberto, nunca mais!

O dia passa entre conversas com Vicky, minha família no Brasil e o pessoal que está aqui: Chapola, o mexicano Rey e os caras do Largando Tudo, Renatim e Ítalo.

Vicky combinou com Kelly, que também trabalhou na Trip e também está morando em Buenos Aires, de tomar uma cerveja à noite. Convite estendido a todos e, o que era pra ser uma cervejinha pra pôr o papo em dia virou uma festa com mais de 15 pessoas no bar. Dois professores de Kelly e uma galera do hostel do Chapola se juntaram a nós. Brasileiros, argentinos, chilenos, colombianos, mexicanos e um chinês brindando, conversando, bebendo. Dominamos a parte aberta nos fundos do pub Gibraltar, uma casa bem legal, com boas cervejas a preço justo, mesinhas e uma mesa de sinuca.

Extremamente animados pra ir dormir, vamos a outro bar, chamado Puerta Roja. Uma miniprocissão cambaleante pelas ruas do bairro San Telmo. Outro bar muito bom, já um pouco vazio, perfeitamente normal por ser madrugada de uma segunda-feira.

Por volta de seis e sete da manhã chego em casa. Como da primeira vez na cidade, o dia da chegada foi um absurdo. Desse jeito, quero vir toda semana.

 
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