Mochilão América do Sul – Dia 7

Dia 7 – 19/04/12 – 5ª-feira

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Para ouvir:

Raul Seixas – Tente Outra Vez

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Essa foi minha segunda noite em um hostel. Pouco tempo, mas acho que já deu pra ter uma ideia de como é no geral, embora este seja bem tranquilo. A maioria dos viajantes é gente boa, está aberta a conversar, saber sobre você e sua viagem, como, por exemplo, as duas cariocas e um casal argentino em lua de mel. Claro que também tem pessoas mais taciturnas e fechadas, como o francês que fica no laptop o tempo todo e à noite lê um livro por meia hora antes de dormir. E pelo menos uma britadeira, que consegue acordar até um surdo com seu ronco. Essas pessoas deveriam ser proibidas de dormir em quarto coletivo. Nada contra quem ronca, mas tudo tem um limite. A tiazinha argentina é muito simpática quando acordada, mas gostaria que ela viajasse única e exclusivamente para uma ilha particular.

Depois de acordar com um zumbido no ouvido, reafirmo minha decisão de ontem. Vou antecipar minha ida à Patagônia. Montevideo realmente é demais. Quero voltar pra cá passar uma semana inteira no mínimo, mas a pressa de chegar antes que o inverno em Ushuaia não permite que eu fique mais aqui.

De mochila pronta, no caminho do ponto de ônibus passo comprar uma jaqueta com fleece. Trouxe só uma blusa de moletom, melhor garantir mais um abrigo antes de chegar à Argentina.

Subo no ônibus. Aqui, as tarifas são proporcionais à distância que vai percorrer. As moedas que tinha separado para pagar ao motorista não são suficientes. Ainda desajeitado com a mochila nas costas e a outra no peito, sento em uma cadeira ao lado para pegar mais umas moedinhas. Tudo certo, vou até o fundo do ônibus e fico em pé, ao lado de uma garota com uma mala grande. Confirmo com ela em qual ponto eu desço. Como imaginava, ela também vai até o terminal, melhor assim.

Chego no guichê. O próximo ônibus para Colonia del Sacramento sai em 50 minutos. Peço uma passagem. Alcanço o bolso da bermuda com a mão e… opa! Deve estar no outro bolso. Também não. Bolsos de trás? Nada! Caralho, cadê minha carteira? Deixei cair no circular e não vi? Alguém pegou na surdina e não percebi? Puta que pariu, já era!

Corro no balcão de informação turística. Eles ligam para a empresa de ônibus. Entrego o bilhete que recebi quando paguei o busão, com nome da linha, horário e várias outras informações. Muito útil, deveria ser adotado no Brasil. Nada! Faço e refaço o caminho do ponto de ônibus até o terminal várias vezes. Sem esperanças de encontrar, entro em um locutório na rodoviária e bloqueio meus cartões Visa e Master. Pelo menos não vão conseguir usá-los. Pergunto onde tem uma agência do Santander por perto. Vou até lá, não tão perto assim. Ainda mais com a mochila nas costas, correndo antes que a agência feche, com fome, calor e pensando no que vou fazer depois. Chego na agência, uma puta fila do lado de fora. Chamo o segurança, digo que sou estrangeiro, fui roubado e preciso falar com o gerente urgentemente. Passo na frente de todos. É uma mulher. Ela faz umas ligações e consegue pedir um cartão emergencial pra mim. Vão me mandar um e-mail confirmando alguns dados e o endereço para entrega. Nunca tive um atendimento tão bom como esse por um funcionário de banco no Brasil.

De volta ao terminal, calculo o prejuízo com a cabeça mais tranquila. Dois cartões de crédito, um Visa Travel Money, a carteirinha de alberguista, credencial de mergulho e 30 pesos uruguaios (merreca). Ainda tenho meu passaporte, RG, comprovante de vacinação da febre amarela e um pouco de dinheiro.

O que fazer agora? As opções são: voltar pro Brasil, acertar tudo e começar de novo, ficar em Montevideo mais um dia pra tentar achar a carteira ou continuar a viagem.

Comecei a viagem sem planos definidos. Se voltar pro Brasil, sei que vai ser difícil sair de novo. Dane-se tudo, a vontade é maior que esse percalço. Vou pra Colonia.

Espero na rodoviária lamentando o ocorrido, mas ansioso pela próxima parada. Saio às 17h30 de Montevideo. Na estrada, um pôr do sol dos mais inspiradores acompanha o ônibus, me dizendo em silêncio que a melhor decisão é mesmo seguir em frente. Desistir depois de já estar aqui não parece ser muito inteligente.

Uma tiazinha sentada ao meu lado puxa conversa. Vamos falando quase todo o caminho. Acabo contando sobre o ocorrido, ela lamenta e pergunta se preciso de ajuda, algum dinheiro, qualquer coisa. Agradeço com um sorriso sem graça e um pouco mais de esperança nas pessoas.

Chego em Colonia às 21h. Fico no El Viajero Hostel. Agora sim, um albergue agitado, cheio de gente de todos os lugares. Converso com a menina da recepção e, mesmo sem a carteirinha, consigo pagar o preço de sócio da Hostelling International.

Antes de dormir, mando mensagem pra Vicky, minha amiga da época da Trip, que está morando em Buenos Aires. A ideia era visitá-la quando passasse por lá. Agora, mais que visitar, vou pedir ajuda. Sem grana, pretendo ir pra lá o quanto antes pra esperar chegar meu cartão novo.

Cansado e com fome, vou pra cama. Já aconteceu muita coisa por hoje, chega! Mesmo porque, só com o café da manhã do hostel e uma maçã agora à noite, não tenho força pra mais nada.

A dificuldade em pegar no sono é grande. O quarto dá de cara com a rua, e haja cachorro latindo noite adentro. Amanhã vai ser outro dia!

Acompanhe a viagem pelo mapa.

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~ por rocisman em 24/10/2012.

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