Mochilão América do Sul – Dia 13

Dia 13 – 25/04/12 – 4ª-feira

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Para ouvir:

Raul Seixas – A Hora do Trem Passar

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E lá vou eu de novo, um tanto assustado, ou melhor, emputecido, tentar sacar grana. Pela primeira vez pego o metrô de Buenos Aires, conhecido como Subte. Até tento evitar, mas como vivo em São Paulo, a comparação é fatal. O metrô daqui é mais velho, mais sujo e mais obscuro que o nosso. Mas é mais vazio, ao que parece.

Saio da estação e me dou conta de que esqueci de anotar o número do prédio da Western Union. Sei que é perto da Avenida 9 de Julho, a mais famosa daqui, onde está o Obelisco. Hora de colocar em prática uma de minhas metas na viagem: pedir informação para os “nativos”, em vez de me guiar por um GPS. Entro em um banco, o cara não sabe onde fica, mas diz pra eu perguntar na agência do Correo, bem em frente. Desobedeço e pergunto em uma loteria. É logo ali, daqui duas ou três quadras, o cara me indica. Depois de cinco minutos estou com a grana no porta-dólar. Finalmente, tenho dinheiro. The trip must go on. Já era hora. Corro pra estação Retiro. É gigantesca, dividida em três ou mais galpões. Tenho que sair do terminal onde estou e atravessar umas ruas até achar a bilheteria específica do trecho que vai até Bahía Blanca. Com a passagem em mãos, volto de trem pra casa da Vicky.

Almoço, arrumação, cafezinho e hora da despedida. Difícil colocar em palavras todo o agradecimento que a Vicky merece. Ela foi a pessoa que tornou possível a continuação da minha viagem. A ela, minha eterna gratidão. Valeu Vickynha!

Mochila nas costas, Subte rumo à estação Constitución. Mesmo às 18h de uma quarta-feira, o metrô portenho vai rápido, tranquilo, sem muvuca. Pode ser por causa da siesta, já que muita gente vai embora depois das 18h do trabalho. Mais um motivo pra liberar aquele cochilo esperto antes de voltar à labuta.

Já o trem pra Bahía Blanca é mais ou menos o que vai até Jundiaí, porém mais velho. Este trem tem três classes, em ordem da pior pra melhor: turista, primeira e pullman. Não se deixe enganar pelos nomes. Na turista, os bancos são de madeira. A primeira tem poltronas, algumas reclinam, outras estão quebradas. A pullman tem calefação e poltronas mais confortáveis. Cada uma custa, respectivamente, AR$ 58, AR$ 72 e AR$ 95. Dá pra sentir o clima pelo site da empresa.

Vou de primeira classe, sem todo o conforto, mas com o mínimo de condições. O cara que está ao meu lado é gente boa. Começamos a conversa quando ele diz que íamos passar um pouco de frio, já que a janela não está fechando por inteiro. Como está um pouco quente, levo na brincadeira. Nunca faça isso! Se alguém que mora em um lugar frio falar que pode ser que passem frio, você tá ferrado. Comece a se preparar pro pior.

Tirando algumas vezes em que ele fala muito rápido e virado pra janela, consigo entender numa boa. Com o guia em mãos, ele me mostra várias cidades que valem a pena conhecer. Uma delas é Zapata. Tá anotado, quem sabe passo por lá.

Um tempo depois, o sono chega. O frio também. Acordo no meio da madrugada e me dou conta de que todos, que fique bem claro, todos os passageiros do vagão estão cobertos com algum tipo de manta.

Da cintura pra cima, tá tudo bem. Estou vestindo segunda pele, camiseta, moletom e jaqueta com fleece, luvas e gorro. Com o perdão do trocadilho, o problema é mais embaixo. Não sinto minhas pernas e meus pés. Só a calça jeans e uma meia comum não dão conta de todo o frio que faz e entra pela merda da janelinha que não fecha por inteiro. Sem condições de abrir a mochila pra procurar a calça que funciona como segunda pele e a meia térmica que comprei em Buenos Aires. Parece que meus pés estão em uma bacia com gelo. Tô quase acordando o argentino pra perguntar se ele se importa de dividir esse cobertorzinho. Claro que isso está fora de cogitação. Tenho uma solução muito mais inteligente e apetecedora. Uma “petaca” cheia de conhaque venezuelano, cortesia da Vicky antes de eu partir. Incrível como faz a viagem ficar melhor. Não esquenta meus pés, mas eles que se danem. Pena que também não apagam as luzes do vagão e nem fazem esses garçons filhos da puta pararem de bater a merda da porta quando passam vendendo café, café com leite, cortado e o caralho a quatro. Ô inferno… gelado!

Duas dicas muito importantes: se for viajar prum lugar frio, mesmo que não esteja frio, se agasalhe bem e lembre-se que seu melhor companheiro é uma “petaca” cheia da bebida destilada de sua preferência. Outra coisa: vai viajar de trem? Escolha uma poltrona no meio do vagão. Nem fones de ouvido ajudariam a silenciar essas portas batendo ao lado a noite toda.

Mais fotos no Flickr.

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~ por rocisman em 05/11/2012.

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