Mochilão América do Sul – Dia 18

Dia 18 – 30/04/12 – 2ª-feira

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Para ouvir:

The Rolling Stones – Shine a Light

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Acordo ainda na estrada, umas sete e pouco da manhã. Olho pela janela e vejo um desertão. Mais um pouco e paramos. Daqui de cima (é um ônibus com dois andares), vejo policiais ao redor e outro ônibus estacionado. Um dos homens fardados entra no ônibus com um cachorro, que vai cheirando cada pessoa e mochila até o fundo. Caralho, dormi demais, passamos da cidade e estamos em alguma fronteira? O policial manda o cachorro cheirar alguns lugares mais uma vez. Eu estou na lista. Não devo ficar apresentável com esse gorrinho do Chaves. Tenho vontade de pegar minha mochila no colo, como que por impulso, e falar que não tem nada aqui dentro, com cara de assustado. Mas uma coisa que meus pais me ensinaram é que brincadeira tem hora.

Tudo liberado, a viagem continua. Chegamos em Puerto Madryn. Eu jurava que aqui tinha mar, onde se pode avistar baleias, pinguins, leões e elefantes-marinhos. Descendo por uma estradinha, parece mais uma cidade dentro de um vale rodeado por um grande deserto. Que bizarro!

Entro no terminal e surpresa! A bagagem tem que passar por uma esteira com raio-x, enquanto eu passo sob um detector de metais. Que isso, a síndrome do pânico chegou até aqui?

Vou até o El Gualicho, um hostel espaçoso, limpo, moderno e com atendentes prestativos, no centro. Deixo tudo e saio dar uma volta pelo calçadão da praia. A fome bate. Sem forças pra comprar algo no mercado e cozinhar, apelo prum restaurante à beira-mar. O prato mais barato é a famosa milanesa. Barato porque não vem arroz, feijão e farofa como acompanhamento. Peço batata frita e uma Quilmes. O prato chega rápido. Já é tarde, o restaurante está quase vazio. Como devagar, olhando pro mar e pensando na vida. O mar tem um poder muito forte sobre mim. Uma mistura de respeito e desafio. Posso ficar horas olhando pra ele. Venta muito lá fora. O mar está agitado. O vento é tanto que entra por alguma fresta e balança as mesas aqui dentro.

Dois cachorros brincam na praia, um correndo atrás do outro. Parece que tem outro cachorro dentro da água. Puta merda, é um leão-marinho! Que surpresa. Pergunto pra garçonete se é normal, ela diz que sim. Não ficam nas praias urbanas, mas nadam por aqui. Ela também me diz que as baleias estão chegando, alguém avistou umas há uns dias. Não sei se acredito, já me disseram que não é temporada.

Depois de ver um leão-marinho, impossível não caminhar pela praia. O vento realmente é forte. Ando uns quatro quilômetros. Chego em um monumento de um índio, no topo de um pico. Dá pra ver toda a cidade daqui, o deserto lá atrás e o mar na frente. Continuo andando, tem uma praia quase deserta, bem comprida. Lá na frente ela avança como um braço no mar. A vontade de continuar é grande, mas já está tarde, logo mais escurece. Melhor não agora, quem sabe amanhã.

Mais fotos de Puerto Madryn!
Acompanhe a viagem pelo mapa.

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~ por rocisman em 20/11/2012.

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