Mochilão América do Sul – Dia 21

Dia 21 – 03/05/12 – 5ª-feira

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Para ouvir:

El Cuarteto de Nos – El Hijo De Hernandez

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O dia começa cedo. Sete e meia já estamos tomando café. Pegamos o carro na locadora e pé na estrada.

Uma das melhores coisas em viajar de mochilão é justamente isto: conhecer pessoas. A grande maioria, diria que 99% dos mochileiros, é “buena onda”. Todos muito abertos e receptivos em conhecer outras pessoas, sejam moradores ou viajantes. Aí, acabam fazendo amizades e programas juntos. Quando você sai da sua zona de conforto e se vê sozinho em algum lugar longe de casa, tendo que se virar do jeito que dá, sente na pele que preconceitos e xenofobia são pensamentos totalmente retrógrados. Em uma viagem como essa, temos atitudes que nunca teríamos em nosso “território”.

Já na estrada, começo a pensar que dificilmente teria oferecido pagar o aluguel do carro com o meu cartão em uma situação normal, confortável. Matt, o canadense, havia deixado seu passaporte no hostel, assim como os outros. Tranquilo, eu pago e depois acertamos. O risco que eu corro é não receber a grana. É uma prova de confiança, tô aqui pra isso.

Uma hora de estrada, chegamos à Península Valdés. Na entrada, paramos no centro de informações para, adivinha, ter mais informações sobre os lugares e decidir onde ir primeiro.

De volta ao carro, vamos à Puerto Piramides, único povoado daqui, com meia dúzia de casas e comércio para turistas. Tem hotéis, hostels, cabanas, restaurantes, agências de turismo. Damos uma volta e vamos rumo à Punta Norte, onde há elefantes-marinhos e orcas. Mais uma hora em uma estrada de terra terrivelmente seca. Não chove por aqui faz muito tempo. Essa região é um deserto gelado, sem árvores e muito vento.

Matt fica com sono, trocamos de lugar. Dirigir na Patagônia é legal. Dirigir um carro alugado na Patagônia é mais. Dirigir um carro alugado na Patagônia sem estar com a CNH é mais que legal, é emocionante! Minha carteira de motorista venceu em abril. Tive que renová-la, mas não ficou pronta a tempo de eu trazer. Claro que não dirigiria se estivesse em uma cidade ou estrada, mas como aqui é uma reserva fechada e praticamente vazia, é mais tranquilo. Tá valendo!

Pelo caminho, muitos guanacos e ovelhas atravessando a estrada. Aliás, são praticamente os únicos seres vivos que passam por nós. Essa é a melhor parte de viajar na baixa temporada. Pena que nem os animais ficam aqui na baixa. Exceto os elefantes-marinhos, não tem mais nada aqui. As orcas devem estar longe. Perto mesmo, só um tatu sem-vergonha que veio comer as migalhas do nosso pão.

Saímos de Punta Norte para Punta Delgada, onde há mais elefantes-marinhos e alguns pinguins, bem longe. As distâncias entre cada lugar são muito grandes. Perde-se (ou ganha-se, na minha opinião), muito tempo percorrendo a península. Vale muito a pena. A dicotomia deserto/oceano deixa qualquer um emocionado.

Na volta, falo pra galera que li sobre a ilha antes de vir. A maior curiosidade é que Antoine de Saint-Exupéry trabalhou na região para uma empresa chamada Aeropostale (hoje a Air France) . Foi o primeiro piloto do correio argentino a voar pela Patagônia. Uma ilha aqui da Península Valdés, chamada Isla de los Pájaros, foi a inspiração para o desenho do elefante no livro O Pequeno Príncipe. Olhamos para o mar e lá está a ilha. A francesa, tal qual uma criança, pede que Matt volte um pouco para fotografar. A alegria de ver o elefante logo à frente toma conta de todos.

Andamos mais um pouco e paramos de novo. Dessa vez porque o pôr do sol está incrível, com um laranja tão intenso que até doi o olho. É o pôr do sol mais bonito que já vi, sem dúvidas!

Agora sim, sem mais paradas. A loja onde alugamos o carro fecha às 20h. Ou chegamos antes, ou só entregamos amanhã. Chegamos a tempo. Parece mentira, mas o inusitado aconteceu: fizemos 400 km cravados. Quatro, zero, zero. Nem mais, nem menos. Esse era o limite pelo preço que pagamos. Cada quilômetro rodado a mais seria pago à parte. Tudo planejado!

Como não podia deixar de ser, recebo a grana de cada um, enquanto bebemos uma breja e um vinho.

Tudo perfeito, a não ser pelo e-mail que recebi à tarde. Dizem que estou em um lugar remoto. Assim, reprogramaram a data de recebimento do cartão pro dia 9, quarta que vem. Puta merda, é muito tempo, vou gastar uma nota com hospedagem e sabe-se lá quando chego em Ushuaia. A correspondência do Brasil pra Argentina demorou só um dia, como pode demorar sete dias aqui dentro do país? Vou dormir frustrado.

Mais fotos da Península Valdés aqui!

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~ por rocisman em 05/12/2012.

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