Mochilão América do Sul – Dia 45

Dia 45 – 27/05/12 – domingo

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Para ouvir:

Faith No More – Easy

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O sono impera no café, que começa desanimado. Primeiro, despedida de Gabriel. A chuva lá fora me faz pensar em mudar os planos. Antes que decido, ela desiste de atrapalhar. Então, é a vez da nossa despedida. Difícil acostumar. Nessas viagens, fazemos alguns amigos que parecem ser de muitos anos. Claro que não é a mesma coisa, mas a necessidade de conversar, a distância de casa e a química fácil com algumas pessoas mascaram o pouco tempo.

Mochila nas costas, vamos para a saída da cidade. Tanto tempo sem andar com esse peso me deixou mal acostumado. O pouco que andamos já me canso.

Paramos na segunda rotatória. Não passa praticamente ninguém. Domingão, um frio de lascar, movimento fraco. Os poucos carros são família voltando pra casa depois de um feriado. Pra ajudar, começa a garoar. É uma cena de filme de zumbi. Céu nublado, cidade vazia, dois caras parados na beira de uma estrada vazia, o único barulho são os latidos de alguns cachorros ao longe. Quer dizer, não tão longe, porque dois cachorros chegam pra nos fazer companhia.

Temos bastante tempo. O ônibus de Calafate a Rio Gallegos sai só às 16h30. Paciência até lá.

O legal de pedir carona é tentar adivinhar qual automóvel vai ou não parar, com critérios um pouco mais racionais, como o estado de conservação do carro, sexo do motorista, velocidade, quantidade de passageiros, e palpites completamente aleatórios, como a cor do carro ou se o farol está acesso. Só por diversão, pra passar o tempo.

– Uma caminhonete cabine dupla nova, Hilux, não vai parar. Essas nunca param.

Dito e feito.

– Opa, agora um golzinho vermelho firmeza, esse vai parar.

Palpite errado. Foi embora.

– BMW preto esportivo, desencana. Não vai parar nunca.

Errado de novo. Parou! Depois de mais de uma hora com frio, garoa e sem esperanças, o inesperado acontece. Um casal em um BMW novinho. “Tamo patrão!”

Patronagem

Patronagem

José tem uma empresa de internet em Rio Gallegos. Vai abrir uma filial em Puerto Madryn e está louco para entrar no Brasil. Dessa vez, além de política, futebol e música, falamos do mercado de trabalho brasileiro.

Ele não tem noção de como funciona nosso país em relação à internet e telefonia móvel. Está bastante alegre por poder conversar com dois brasileiros. Quer fazer negócios. Nós estamos felizes pela carona e pela possibilidade de rolar algum trampinho com ele. Uma carona nunca rendeu tanto.

Chegamos em Rio Gallegos sob uma chuva forte. Descemos na rodoviária, sem chances de pedir carona com esse tempo. Esperamos acabar o horário da siesta, das 13h às 16h, para comprar passagem até Comodoro Rivadavia. É a terceira vez que passo por essa rodoviária. E a última, espero.

Oito e meia partimos. Amanhã, mais tentativa de pegar carona. Cansa essa vida. Mas ô vida boa!

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~ por rocisman em 21/02/2013.

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