Mochilão América do Sul – Dia 54

Dia 54 – 05/06/12 – 3ª-feira

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Para ouvir:

TV On The Radio – Dirty Whirlwind

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Ao meio-dia encontramos Ítalo e Renatim, os cearenses do Largando Tudo, para ir ao Cerro Catedral, uma montanha gigantesca com neve, famosa por sua estação de esqui. Por enquanto, não é possível esquiar, só daqui uns 15 dias, pelo que dizem. Ainda não tem neve o suficiente.

Acima e avante

A diversão é subir até o topo em um teleférico, onde a neve já tá legal. Quer dizer, essa é a diversão dos outros. A nossa é subir a pé. Um guarda-parque diz que demora quatro horas, mais ou menos. “Tranqui!” Vamos lá.

O começo é íngreme, sem nada de neve. Só a vegetação rasteira predominante na Patagônia. Mal começamos a subida e paramos pra admirar a paisagem e repor o fôlego. Não necessariamente nessa ordem, pra ser sincero. Estamos ofegantes. A dificuldade em respirar lembra a altitude da Bolívia, por onde Ítalo e Renatim já passaram. E trouxeram a solução de lá: folha de coca pra todo mundo mascar.

Pausa pra respirar

A subida continua acentuada. Pra ganhar tempo, vamos cruzando o caminho em zigue-zague feito na montanha. Logo chegamos a uma estradinha de terra. Seguimos um pouco por ela, manchada em alguns trechos pela neve.

Dá-lhe montanha outra vez, mais neve, frio aumenta, começa a nevar, sobe mais, vento mais forte, temperatura diminui, um escorrega no gelo, outro tira foto. A diversão começa a ser vencida pelo cansaço. Passamos por uma parada do teleférico. A neve, fofa, vai até o joelho.

Depois de três horas e pouco, esgotados e molhados pela neve, chegamos. Dezenas de famílias brincam de escorregar. Estão todos bem alimentados, agasalhados e descansados. Nós só queremos saber de voltar logo. O sol já tá baixando. E pra ajudar, ninguém teve a brilhante ideia de trazer algo pra comer.

IMG_5104

Pra baixo, nem todo santo ajuda. Renatim tem o joelho podre e a mão congelada. Ítalo está com um all-star. Eu, com bota e meia térmica quase não sinto meus pés. Chapola empresta sua luva pra Renatim, que nem consegue mexer a mão para vesti-la. Vamos em passo lento.

Duas horas, alguns escorregões e muita tremedeira depois, estamos no ponto do ônibus, torcendo para que o frio de -9ºC não desça a montanha atrás da gente. Uma ideia de jerico mas que, no final, valeu a pena. Subir de teleférico não teria a metade da graça de chegar lá depois de tanto esforço.

As últimas forças serviram para tomar um banho quente, comer igual um ogro, secar duas garrafas de vinho e capotar embaixo das cobertas e longe da neve.

Mais fotos no Flickr.

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~ por rocisman em 29/04/2013.

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