Mochilão América do Sul – Dia 56

Dia 56 – 07/06/12 – 5ª-feira (Bariloche / Neuquén)

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Para ouvir:

Bob Dylan – Like A Rolling Stone

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Para sair de Bariloche, vamos tentar uma caroninha. A primeira regra já foi ignorada: começar o mais cedo possível. Ponto negativo. A segunda, comer bem, tá dentro. Ponto positivo.

Vamos para a saída da cidade, ao lado da rodoviária. Aproveitamos para perguntar os horários de ônibus para Bahía Blanca. Sai um às 23h45. Ótimo, temos o dia todo.

Mochilas no chão, dedos pra cima. O tempo todo. Tem muito carro, o tráfego é intenso. Caminhão, só dois ou três. Olhamos um mapa e entendemos o porquê. A Ruta 40 contorna a cidade e encontra esta estrada lá na frente. Seria o ideal ir pra lá, mas é longe demais pra ir andando.

Um carro vermelho, velho, encosta. Chapola começa a correr até ele. Um gordinho sai e atravessa a rua. Parou pra ajudar um carro quebrado do outro lado, não a gente. É uma atitude bonita, mas Isso não se faz, é como dar um doce a uma criança e dizer que não pode comer.

Já se passaram duas horas e nada. A fome começa a apertar. Violamos a terceira regra: não trouxemos nada pra comer. Ao menos temos água. E diferentemente de Trelew, aqui está um dia lindo, o sol se esforça pra esquentar essa terra fria. Estamos de frente pro lago Nahuel Huapi. Uma beleza!

Do outro lado da estrada, uma mulher passa caminhando com duas criancinhas, a caminho da escola ou de volta pra casa. Uma das pequenas fica nos olhando, curiosa. Damos tchau e ela retribui, sua mãozinha balançando no ar e um sorriso inocente mais caloroso que o sol. Ganhamos o dia.

Pouco tempo depois, um carro para. Diz que vai até o próximo povoado, a alguns quilômetros daqui, já na Ruta 40. Como aqui não está muito animador, vamos pra lá!

Mais uma prova de que os argentinos são gente boa. Além de dar carona, o tiozinho, muito simpático, dá uma esticada pra nos deixar em um ponto melhor na estrada.

Atravessamos uma ponte e estamos na província de Neuquén. Uma construção de madeira do lado do posto policial é nossa salvação. Depois de pedir permissão aos guardar para “caronar”, compramos três empanadas deliciosas no restaurantezinho rústico. Pra não perder tempo, levamos e comemos na beira da estrada.

Já é um pouco tarde pra pedir carona. Estamos longe da cidade e passam poucos carros. Se não passar uma alma caridosa, temos duas opções. Pedir carona de volta a Bariloche ou dormir em um ponto de parada de ônibus, na beira da estrada.

Claro que a esperança prevalece. Ainda mais porque não uma, nem duas, nem três, mas quatro cidades podem ser nosso destino. O objetivo é ir a Bahía Blanca. Porém, Buenos Aires, Neuquén ou Viedma também servem.

A paciência é a virtude mais importante pra quem quer pedir carona. Só não é tão necessária quando a sorte resolve dar o ar da graça. Antes que o desânimo e o desespero tomassem conta da situação, um caminhão encosta. Diz que vai até Córdoba. Seria perfeito se não tivesse que passar em Buenos Aires pegar meu cartão. De qualquer forma, vai passar por Neuquén, pode nos deixar lá.

Viajar por terra é mais cansativo, demorado e até perigoso, em comparação a um avião. Mas a recompensa também é maior. Testemunhar a mudança gradativa da paisagem a cada quilômetro rodado é uma das melhores partes da viagem. O deserto patagônico, o azul cintilante do rio e do lago que corta a planície amarelada pela seca como um oásis para os olhos, os povoados perdidos no tempo e no espaço, aos poucos dão lugar às montanhas e às grandes cidades.

Outdoors mordidos e em formato de dinossauros anunciam que estamos em um parque arqueológico. Vale a pena procurar na internet ou, melhor ainda, conhecer o lugar. No escuro, não conseguimos ver a estátua de dinossauro na entrada da Villa El Chocón. Muito menos um exemplar vivo.

Em Neuquén, descemos do caminhão em um posto na saída da cidade. Esperamos um ônibus no ponto, mas resolvemos pear um táxi até o terminal rodoviário. O tempo exato pra comprar a passagem e subir no busão, que sai às 21h45. Temos mais metade do caminho pela frente!

Mais fotos no Flickr.

Veja o trajeto no Google Maps.

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~ por rocisman em 03/06/2013.

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