Mochilão América do Sul – Dia 65

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Para ouvir:

The Who – Baba O’Riley

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Dia 65 – 16/06/12 – sábado (Buenos Aires)

Acordar tarde por dias seguidos é ruim por um motivo: quando tem que despertar um pouco mais cedo, parece o fim do mundo. Que fique claro que o “um pouco mais cedo” é em relação ao horário que eu acordei nos últimos dias. Levanto às 11h.

Combinei com Rey Calavera, meu amigo mexicano com quem trabalhei em uma agência em São Paulo, de nos encontrarmos às 13h no portão do Cemitério da Recoleta. Minha saúde voltou ao normal, tenho tempo de sobra, o dia está ensolarado. Vou caminhando até lá.

Buenos Aires é uma cidade plana, arborizada, com calçadas geralmente largas, nada de trombadinhas em esquinas. O maior perigo é atravessar as ruas. Os portenhos são loucos no trânsito. Não respeitam nada, muito menos os pedestres. Se está atravessando a rua e vem um carro, ou dá aquela corridinha apertada, ou vai parar embaixo do veículo.

Às quinze pras 13h, depois de uma hora andando, chego na Recoleta. Uma feirinha artesanal contorna todo o cemitério. A necessidade de economizar e a falta de espaço na mochila me impedem de comprar qualquer coisa.

Rey chega e entramos no cemitério. Em toda a viagem, não tinha visto tantos brasileiros em um mesmo lugar. Turista é o que não falta aqui. Eu até entendo a beleza do lugar, repleto de jazigos mais caros que muita casa, estátuas gigantescas, epitáfios lindos e restos mortais de muita gente importante. Mas ainda assim, é um passeio um pouco mórbido. Ruas, esquinas e avenidas margeadas por lares sem vida. A vizinhança é composta por Sarmiento, Roca, Evita e outras figuras históricas da Argentina. Uma cidade dos mortos. Será que algum estudante de arquitetura já pensou em fazer uma tese sobre a história e a importância das construções baseada nos túmulos?

Solidariedade

Esse é o cenário do meu primeiro ensaio fotográfico. Duas horas clicando Rey Calavera. Até que o resultado é satisfatório prum primeiro ensaio. Claro que faltam prática, conceitos e tudo mais. Próximos passos: fazer um curso completo de foto e comprar uma lente tele.

Rey_Calavera

Clique e veja todas as fotos do ensaio “Reycoleta” no Flickr.

Saímos do cemitério e recebo o pagamento pelo primeiro ensaio. Dois pedaços de pizza deliciosos no Güerrin, uma pizzaria que fica em uma porta discreta entre as dezenas de fachadas brilhantes e iluminadas dos teatros na Avenida Corrientes.

Também fizeram parte do pagamento algumas cervejas que tomamos na casa do Rey, um apartamento grande em um prédio muito antigo. O elevador, daqueles com porta de ferro sanfonada, serviu como cenário pras últimas fotos.

Foi assim, depois de mais de quatro meses, que finalmente encontrei Rey fora do Brasil, um dos maiores responsáveis por fazer eu perceber que não dava pra esperar mais pra viajar.

Volto e encontro Vicky e Will na mesma pizzaria de ontem. Um copinho de vinho pra acompanhar e o sábado acaba com o licorzinho de cachaça pra dormir feliz.


Uma banda de senhores na porta do Cemitério da Recoleta contrastam com a morbidez de dentro do ponto turístico com músicas animadas, como se viessem de algum filme do Woody Allen.

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~ por rocisman em 07/08/2013.

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