Mochilão América do Sul – Dia 59

•01/07/2013 • Deixe um comentário

Dia 59 – 10/06/12 – domingo (Bahía Blanca)

—————

Para ouvir:

Ozzy Osbourne – Crazy Train

—————

O domingo acordou com cara de despedida. Pouco a pouco, todos levantam e se juntam aos outros na mesa da cozinha. E aqui ficamos todos. Almoço, café da tarde, TV, conversa, Skype. O relógio não tem pressa. Mapas e folhetos sobre diversos destinos cobrem a mesa. O número de cidades e a vontade de conhecer todos são enormes, comparados ao tempo e, principalmente, ao dinheiro disponíveis. É a velha história do quanto mais se tem, mais se quer. Não tem mal nenhum a ambição, desde que controlada. Caso contrário, a obsessão entra no jogo e acaba com a brincadeira.

Antes de ir embora, peço a Ivan que dê uma canjinha com seu violão. Ele toca música clássica russa, conhecida localmente como música.

Na estação, me despeço de todos e subo no trem. De novo na primeira classe, sem calefação. Dessa vez não foi por escolha, não tinha mais lugar na classe Pullman, a melhor e só vinte pesos mais cara.

Começou bem! Minha poltrona é a 17. Procuro a numeração. 13 e 14. 15 e 16. 21 e 22. Não tem a plaquinha nas fileiras 17, 18, 19 e 20. Pela lógica, é a que fica atrás da 13 e 14. Pergunto ao casal mal-humorado que está sentado aí, tenho um não como resposta. Os jovens que estão nas poltronas ao lado sem numeração também dizem que ali não é. Paciência. Sento na poltrona 15 e se o tiozinho responsável por conferir as passagens reclamar, falo que não existe a merda da poltrona 17 e, se ele sabe qual é, que expulse os invasores dela.

Faz frio. O trem é velho, mal-conservado e sujo. Quero tirar uma foto, mas não dá. Mesmo com luvas, minhas mãos estão geladas. Não dá pra ver a paisagem lá fora. Menos pela escuridão, mais pelo pó impregnado no vidro. Fecho a persiana de alumínio com a ilusão de que ela bloqueará o vento que entra por alguma fresta misteriosa. Deve ter uma fenda no espaço-tempo que leva até a Era do Gelo.

Pelo menos o silêncio predomina. Exceto pelo ruído constante das rodas do trem, por um choro intermitente de um bebê e pela voz de uma criança andando pelo corredor.

Olha só que também está aqui. A Lei de Murphy. É só falar do contentamento por estar relativamente tranquilo, e pronto! Lá se vai a paz. Umas 6 ou 7 mulheres e meninas com um carrinho de bebê entram no trem fazendo aquela algazarra legal. Também devem ter vindo pela mesma porta tridimensional do vento. Quase todas têm o cabelo enrolado no topo da cabeça, um coque à lá Pedrita, dos Flintstones. Só falta o ossinho.

Faz mais frio. Estou com uma camiseta, blusa de moletom, jaqueta com fleece e outra jaqueta pesadona por cima, a que ganhei do canadense em Puerto Madryn; o gorro do Chaves e luvas; uma calça tipo mijão como segunda pele e outra jeans. Não é o suficiente.

No pé, a meia térmica conserva o calor, mas ao contrário. Conserva meus pés gelados. Coloco outra meia por cima. Funciona tanto quanto se eu os colocasse em um balde com gelo. São onze e meia, a viagem tá só começando.

Bate uma vontade de ir ao banheiro. Bom, ao menos meus órgãos ainda estão trabalhando. A privada não tem fundo. Mijo vendo um eixo girando e os trilhos passando. Tava precisando de um pouco de diversão mesmo.

Volto pra minha poltrona, extremamente gelada. Todos passageiros têm seu cobertorzinho, a não se eu e a tiazinha se cagando de frio na fileira oposta à minha.

Entre um cochilo e outro, mais duas idas à privada sem fim e algumas tentativas de sentir meus pés, o trem chega à estação Retiro, em Buenos Aires, às 10 da manhã. Espero que tenha alguém me esperando calorosamente com um lança-chamas.

Veja o trajeto percorrido aqui

Mochilão América do Sul – Dia 58

•19/06/2013 • Deixe um comentário

Dia 58 – 09/06/12 – sábado (Bahía Blanca)

—————

Para ouvir:

Sublime – Santería

—————

Acordo depois de uma noite de sono como há muito não acontecia. Que coisa boa! Nada de frio, nada de ter andado pelo dia inteiro sem saber onde chegar, nada de ter viajado durante horas em um caminhão sem poder tirar um cochilo, nada de ter enchido a cara até acabar a cerveja, o dinheiro ou a sede. Uma noite bem dormida, depois de um dia tranquilo. É até estranho. E muito necessário.

Já conheci Bahía Blanca em minha primeira passagem por aqui. Agora, estou tranquilo, sem o sentimento de culpa de ficar em casa e não aproveitar lá fora.

Aqui dentro da casa da família Estanga, tudo igual, exceto pelo fato de Lili, a mãe, ter ido visitar um tio em outra cidade, e Ivan, um russo que acaba de chegar para passar uns dias, também por CouchSurfing.

Gente boa, já menos fechado pro padrão russo por estar há 6 meses na América do Sul. Veio para viajar só por 3 meses. Foi roubado, ficou sem cartão de crédito mas tem uns poucos dólares no bolso, que usa para comer quando não consegue ficar na casa de ninguém. Só viaja de carona e dorme em barraca pra não acabar a grana. Diz que vai assim até Caracas, Venezuela, porque o voo de volta pra Europa é mais barato de lá. Loucura, rapaz!

Na TV, a Argentina ganha de 4 a 3 do Brasil. Quando criança, não podia crer que um dia estaria vendo um jogo das duas seleções, do lado de lá da cerca, e me divertindo com o resultado.

À noite, me ofereço pra cozinhar. Arroz e carne refogada com legumes. É o mínimo pra agradecer a estadia e os ótimos momentos que passei aqui. Ou, dependendo de como sair a janta, um jeito de ser mandado embora a chutes antes do esperado!

Hoje é o Dia do Não

•17/06/2013 • 1 Comentário

No Brasil, é assim: nós não podemos andar livremente pelas cidades por causa da violência, causada pela falta de educação e discrepância social. Essa violência é descontada com leis que prejudicam o povo, como não poder usar celular em bancos.

Não podemos sair de casa sem gastar rios de dinheiro, seja pelo valor abusivo do transporte público (quando disponível), da gasolina e do álcool ou que jorra dos impostos que somos obrigados a pagar até três vezes em certas ocasiões (IPVA, DPVAT, pedágios etc).

Nas grandes cidades (e até em algumas menores), não podemos chegar ao trabalho pela manhã ou em casa à noite sem sermos esmagados nos ônibus e trens, ou estacionados por horas em filas quilométricas no trânsito.
Em São Paulo, não temos a liberdade de passear ou praticar esportes em muitos parques, que fecham ao entardecer por motivo de segurança, dever não cumprido do estado.

Não podemos comprar nenhum bem ou objeto importado sem pagar, no mínimo, 100% de imposto, mesmo que esse objeto não seja produzido, ou não tenha o equivalente, no Brasil.

Não aguentamos mais ver a Justiça ser tão injusta com pobres e negros, enquanto políticos, ricos e bandidos vivem acima da lei.

Agora, o que não podemos, de jeito nenhum, é ficarmos passivos e deixar que tudo isso continue. Não podemos ficar acomodados em nossas casas. Não podemos achar que a situação vai melhorar algum dia, só porque temos fé na humanidade. Não podemos deixar pra depois, nem pra depois de amanhã, nem pra depois da novela. Não podemos mais ser coniventes com essa situação. Não podemos dar ouvidos a quem não concorda com nossas manifestações, tão necessárias para sermos ouvidos.

E hoje, meus amigos, é o dia em que o povo vai às ruas mais uma vez, mas não pela última, para mostrar que as cidades, os estados e o país não são desses políticos sujos que não nos representam. Hoje é o dia que vamos mostrar que essa palhaçada não pode continuar.

Mais importante que o Dia da Bandeira, o Dia do Trabalho ou o Dia dos Namorados, hoje é o dia do NÃO!

Mochilão América do Sul – Dia 57

•16/06/2013 • Deixe um comentário

Dia 57 – 08/06/12 – 6ª-feira (Bahía Blanca)

—————

Para ouvir:

The Black Keys – Strange Times

—————

Não bastasse o dia inteiro viajando, de Bariloche a Neuquén, passamos mais oito horas e pouco para chegar a Bahía Blanca. São 6 e meia da manhã, ainda está bem escuro. Tomamos um café de máquina e um lanche em um kiosco (vendinhas que têm de tudo, bem comum na Argentina) adaptado, tipo uma loja de conveniência de posto. Pra passar o tempo, ficamos assistindo Discovery na TV até as 8. O sol começa a nascer, a temperatura cai pra -2ºC. O segredo é não parar de andar pra esquentar.

Chegamos à estação de trem. Chapolas vai embora pra Buenos Aires hoje. Eu fico. A despedida é um até logo, provavelmente nos veremos na capital.

Depois de um bom tempo, estou de volta à estrada sozinho.

Vou caminhando por uma hora até a casa de Ayelen. A mochila pesa nas costas. Toco a campainha uma, duas, três vezes. Ninguém sai, espero que não tenham ido viajar de última hora. O cachorro late sem parar, atiçando os outros e acabando com a paz do quarteirão logo cedo.

A porta abre. A boa notícia é que tem gente em casa. A ruim é que estava dormindo e eu acordei. Nada grave quando se trata da família Estanga.

Engraçado como, há pouco mais de um mês, cheguei um pouco perdido e sem ideia do que iria encontrar. Agora, é como se estivesse voltando pra casa, guardada as devidas proporções, claro!

Papo em dia, almoço tranquilo e aproveito o tempo sozinho pra escrever. Fazia um bom tempo que eu não tinha um momento pra ficar assim, de bobeira, no silêncio, pensando em tudo que rolou até aqui e tentando imaginar o que vem pela frente. Impossível adivinhar.

À tarde, Norberto chega do trabalho e conto toda a história da carona com César (para sair de Ushuaia), um dos motivos por que voltei. (para saber qual é a história, leia sobre o dia 36 aqui).

Como toda outra pessoa que conto a história, Norberto fica espantado com a incrível coincidência. O único porém é que César era amigo do primo de Norberto, que também cresceu em Fortín Mercedes. Normal, já que isso não é um livro ou um filme de romance. Todo o acontecimento continua sendo impressionante pra mim.

Mochilão América do Sul – Dia 56

•03/06/2013 • Deixe um comentário

Dia 56 – 07/06/12 – 5ª-feira (Bariloche / Neuquén)

—————

Para ouvir:

Bob Dylan – Like A Rolling Stone

—————

Para sair de Bariloche, vamos tentar uma caroninha. A primeira regra já foi ignorada: começar o mais cedo possível. Ponto negativo. A segunda, comer bem, tá dentro. Ponto positivo.

Vamos para a saída da cidade, ao lado da rodoviária. Aproveitamos para perguntar os horários de ônibus para Bahía Blanca. Sai um às 23h45. Ótimo, temos o dia todo.

Mochilas no chão, dedos pra cima. O tempo todo. Tem muito carro, o tráfego é intenso. Caminhão, só dois ou três. Olhamos um mapa e entendemos o porquê. A Ruta 40 contorna a cidade e encontra esta estrada lá na frente. Seria o ideal ir pra lá, mas é longe demais pra ir andando.

Um carro vermelho, velho, encosta. Chapola começa a correr até ele. Um gordinho sai e atravessa a rua. Parou pra ajudar um carro quebrado do outro lado, não a gente. É uma atitude bonita, mas Isso não se faz, é como dar um doce a uma criança e dizer que não pode comer.

Já se passaram duas horas e nada. A fome começa a apertar. Violamos a terceira regra: não trouxemos nada pra comer. Ao menos temos água. E diferentemente de Trelew, aqui está um dia lindo, o sol se esforça pra esquentar essa terra fria. Estamos de frente pro lago Nahuel Huapi. Uma beleza!

Do outro lado da estrada, uma mulher passa caminhando com duas criancinhas, a caminho da escola ou de volta pra casa. Uma das pequenas fica nos olhando, curiosa. Damos tchau e ela retribui, sua mãozinha balançando no ar e um sorriso inocente mais caloroso que o sol. Ganhamos o dia.

Pouco tempo depois, um carro para. Diz que vai até o próximo povoado, a alguns quilômetros daqui, já na Ruta 40. Como aqui não está muito animador, vamos pra lá!

Mais uma prova de que os argentinos são gente boa. Além de dar carona, o tiozinho, muito simpático, dá uma esticada pra nos deixar em um ponto melhor na estrada.

Atravessamos uma ponte e estamos na província de Neuquén. Uma construção de madeira do lado do posto policial é nossa salvação. Depois de pedir permissão aos guardar para “caronar”, compramos três empanadas deliciosas no restaurantezinho rústico. Pra não perder tempo, levamos e comemos na beira da estrada.

Já é um pouco tarde pra pedir carona. Estamos longe da cidade e passam poucos carros. Se não passar uma alma caridosa, temos duas opções. Pedir carona de volta a Bariloche ou dormir em um ponto de parada de ônibus, na beira da estrada.

Claro que a esperança prevalece. Ainda mais porque não uma, nem duas, nem três, mas quatro cidades podem ser nosso destino. O objetivo é ir a Bahía Blanca. Porém, Buenos Aires, Neuquén ou Viedma também servem.

A paciência é a virtude mais importante pra quem quer pedir carona. Só não é tão necessária quando a sorte resolve dar o ar da graça. Antes que o desânimo e o desespero tomassem conta da situação, um caminhão encosta. Diz que vai até Córdoba. Seria perfeito se não tivesse que passar em Buenos Aires pegar meu cartão. De qualquer forma, vai passar por Neuquén, pode nos deixar lá.

Viajar por terra é mais cansativo, demorado e até perigoso, em comparação a um avião. Mas a recompensa também é maior. Testemunhar a mudança gradativa da paisagem a cada quilômetro rodado é uma das melhores partes da viagem. O deserto patagônico, o azul cintilante do rio e do lago que corta a planície amarelada pela seca como um oásis para os olhos, os povoados perdidos no tempo e no espaço, aos poucos dão lugar às montanhas e às grandes cidades.

Outdoors mordidos e em formato de dinossauros anunciam que estamos em um parque arqueológico. Vale a pena procurar na internet ou, melhor ainda, conhecer o lugar. No escuro, não conseguimos ver a estátua de dinossauro na entrada da Villa El Chocón. Muito menos um exemplar vivo.

Em Neuquén, descemos do caminhão em um posto na saída da cidade. Esperamos um ônibus no ponto, mas resolvemos pear um táxi até o terminal rodoviário. O tempo exato pra comprar a passagem e subir no busão, que sai às 21h45. Temos mais metade do caminho pela frente!

Mais fotos no Flickr.

Veja o trajeto no Google Maps.

Mochilão América do Sul – Dia 55

•08/05/2013 • Deixe um comentário

Dia 55 – 06/06/12 – 4ª-feira

—————

Para ouvir:

The Velvet Underground – All Tomorrow’s Parties

—————

Depois de um dia como ontem, não existe nenhuma chance de acordar pro café da manhã. O cansaço e as dores no corpo impedem qualquer passeio com atividades físicas. A única solução, que une o útil ao agradável, é caminhar pela cidade.

Realmente, Bariloche tem seu charme. A praça na beira do lago, a catedral imponente, o próprio lago Nahuel Huapi, é tudo muito bem cuidado. O tempo agradável nesta época do ano é mais um convite para andar sem rumo pelas ruas e parques. Um São Bernardo é a atração em uma praça. Já em um gramado um pouco mais à frente, um casal de bandurria passeia tranquilamente, sem se incomodar com um turista intruso tentando se aproximar para tirar fotos.

Bandurria

À noite, vamos comer uma pizza em um lugar indicado por Lara, a italiana que conhecemos em El Calafate. A Quilmes escura, que bebemos durante a refeição, nos lembra da cerveja artesanal do Konna Bar. Uma boa pedida antes de ir embora de Bariloche. Dois pints pra cada, aproveitando o happy hour, pra dormir feliz.

Mais fotos no Flickr.

Mochilão América do Sul – Dia 54

•29/04/2013 • Deixe um comentário

Dia 54 – 05/06/12 – 3ª-feira

—————

Para ouvir:

TV On The Radio – Dirty Whirlwind

—————

Ao meio-dia encontramos Ítalo e Renatim, os cearenses do Largando Tudo, para ir ao Cerro Catedral, uma montanha gigantesca com neve, famosa por sua estação de esqui. Por enquanto, não é possível esquiar, só daqui uns 15 dias, pelo que dizem. Ainda não tem neve o suficiente.

Acima e avante

A diversão é subir até o topo em um teleférico, onde a neve já tá legal. Quer dizer, essa é a diversão dos outros. A nossa é subir a pé. Um guarda-parque diz que demora quatro horas, mais ou menos. “Tranqui!” Vamos lá.

O começo é íngreme, sem nada de neve. Só a vegetação rasteira predominante na Patagônia. Mal começamos a subida e paramos pra admirar a paisagem e repor o fôlego. Não necessariamente nessa ordem, pra ser sincero. Estamos ofegantes. A dificuldade em respirar lembra a altitude da Bolívia, por onde Ítalo e Renatim já passaram. E trouxeram a solução de lá: folha de coca pra todo mundo mascar.

Pausa pra respirar

A subida continua acentuada. Pra ganhar tempo, vamos cruzando o caminho em zigue-zague feito na montanha. Logo chegamos a uma estradinha de terra. Seguimos um pouco por ela, manchada em alguns trechos pela neve.

Dá-lhe montanha outra vez, mais neve, frio aumenta, começa a nevar, sobe mais, vento mais forte, temperatura diminui, um escorrega no gelo, outro tira foto. A diversão começa a ser vencida pelo cansaço. Passamos por uma parada do teleférico. A neve, fofa, vai até o joelho.

Depois de três horas e pouco, esgotados e molhados pela neve, chegamos. Dezenas de famílias brincam de escorregar. Estão todos bem alimentados, agasalhados e descansados. Nós só queremos saber de voltar logo. O sol já tá baixando. E pra ajudar, ninguém teve a brilhante ideia de trazer algo pra comer.

IMG_5104

Pra baixo, nem todo santo ajuda. Renatim tem o joelho podre e a mão congelada. Ítalo está com um all-star. Eu, com bota e meia térmica quase não sinto meus pés. Chapola empresta sua luva pra Renatim, que nem consegue mexer a mão para vesti-la. Vamos em passo lento.

Duas horas, alguns escorregões e muita tremedeira depois, estamos no ponto do ônibus, torcendo para que o frio de -9ºC não desça a montanha atrás da gente. Uma ideia de jerico mas que, no final, valeu a pena. Subir de teleférico não teria a metade da graça de chegar lá depois de tanto esforço.

As últimas forças serviram para tomar um banho quente, comer igual um ogro, secar duas garrafas de vinho e capotar embaixo das cobertas e longe da neve.

Mais fotos no Flickr.

 
%d blogueiros gostam disto: