Mochilão América do Sul – Dia 41

Dia 41 – 23/05/12 – 4ª-feira

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Para ouvir:

The White Stripes – In The Cold, Cold Night

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Hoje o Perito Moreno não escapa. Quinze pras nove chegamos à rodoviária. Ainda escuro! Esse é um dos males da Patagônia. Nos dias em que precisamos acordar cedo, é como se fosse madrugada, faltando duas ou três horas pra ver os primeiros raios de sol.

Uma sonequinha na van até despertar na entrada do Parque Nacional Los Glaciares. Do lado esquerdo, as montanhas estão completamente nevadas. O sol nasce um pouco atrás, de onde viemos. No lago abaixo, pequenos blocos de gelo emergem como espinhos de uma rosa.

O caminho é sinuoso, escorregadio. A van contorna o pé dos picos gelados, que chutam pedaços de neve para a estrada.

Chegamos a um píer, de onde saem os barcos e catamarãs que levam os turistas até a formação do glacial. Compramos o ticket. Setenta pesos. Preço justo, considerando o valor do mini-trekking em cima do Perito: AR$ 560,00 (R$ 280,00). Uma experiência única pra quem está disposto a gastar essa grana. Não é o meu caso.

Temos um tempinho até o barco zarpar. Vamos até o final da estrada, de onde é possível ver o glacial de perto. A barreira de gelo é impressionante. Todos falam isso, mas só dá pra entender quando se está frente a frente. Vai de uma montanha à outra na margem do lago. Imagino que tenha mais de um quilômetro de largura, tendo como base a altura, de 60 metros acima da superfície. Daqui, é impossível ver até onde vai lá para trás.

Uma passarela desce a encosta do morro, permitindo chegar mais perto do glacial. Como a van já está saindo, fica pra depois.

O catamarã é bem parecido com o de Ushuaia. À medida que vamos avançando, mais blocos de gelo emergem do lago. Nem quinze minutos para chegar à base da geleira. Outra vez: é impressionante. Uma parede de gelo de 60 metros de altura! Realmente, a natureza é mais imponente e forte que imaginamos. Por mais que continuemos estragando o planeta, ele continua vivo. Agora, se uma geleira dessa derrete por inteiro, sorte de quem mora no topo do Everest.

O vento parece um sopro do pulmão do glacial, de tão gelado. Tirar fotos é complicado, os dedos estão quase congelados sem a luva. O sol está no céu, mas não tem força suficiente para espantar o frio. Toda sua grandiosidade se esvai e perde significância quando chega na imensidão branca.

De volta ao ponto principal, desço a passarela para contemplar uma vez mais o Perito. Vou descendo, descendo, parece que não acaba nunca. É um labirinto de escadas e pontes. Fico frente a frente com ele, na mesma altura. Não dá pra parar de olhar, fotografar, filmar.

Um estalo seco ecoa no ar. Falam que os sortudos conseguem vê-lo desmoronando, no verão. Não vejo nenhum bloco de gelo despencar. Ouço mais alguns estrondos, mais fracos. Devem estar caindo em algum lugar lá dentro, escondidos. Mesmo com algumas quedas, o Perito Moreno é o único glaciar do mundo em crescimento, dizem.

Dá pra ter uma pequena ideia do tamanho da geleira no Google Maps. Não é brinquedo, não! O que vemos é só a pontinha dele. A grande parte sobe Cordilheira dos Andes acima.

Já no hostel, cerveja e vinho pra acompanhar o papo e o jogo do Timão pelo iPhone. Um dia perfeito, pra esquecer a gafe de não ter feito o passeio ontem! Por sorte, o dia hoje estava mais bonito. Até quando se perde um passeio é bom!

Mais fotos do Perito Moreno no FLICKR

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~ por rocisman em 22/01/2013.

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